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Título: Elas também matam: uma análise criminológica e jurídica sobre a mente criminosa da serial killer feminina
Autor(es): BENÍCIO, ANNE CAROLINE MATTOS ALMEIDA
Júnior., Rubens Darolt
Palavras-chave: comportamento criminoso;
criminologia feminina;
psicopatia.
Data do documento: 2025
Resumo: A forma como a mídia e a cultura popular retratam mulheres assassinas perpetua estereótipos de gênero que impactam diretamente sua percepção social, o tratamento jurídico e a forma como são julgadas pela opinião pública. Este artigo analisa criticamente essas representações, buscando compreender de que maneira os estigmas sociais e culturais influenciam investigações, julgamentos e condenações em crimes em série. Parte-se da premissa de que estudar o perfil de criminosas é fundamental não apenas para aprimorar práticas investigativas, mas também para compreender as múltiplas dimensões da criminalidade feminina sob a ótica da criminologia contemporânea. Entre os principais objetivos, destacam-se: analisar a influência do gênero nos processos penais; investigar como a mídia molda o imaginário coletivo; e refletir sobre os vieses do sistema de justiça. Justifica-se a relevância da pesquisa pela necessidade de desconstruir a ideia de que a violência em série é um fenômeno exclusivamente masculino (Costa; Mairink; Abrão, 2021). Como observa Telfer (2019), a sociedade tende a suavizar essa violência quando ela é cometida por mulheres, enquadrando-a em padrões tradicionais de feminilidade e fragilidade. A pesquisa foi desenvolvida com base em uma metodologia qualitativa, utilizando revisão bibliográfica de obras da criminologia, psicologia forense e direito penal. Foram analisados perfis, motivações e contextos de vida das chamadas serial killers, evidenciando como fatores sociais, psicológicos e culturais se entrelaçam na formação de comportamentos violentos. Os dados revelam que, em muitos casos, a violência feminina é tratada como exceção, sendo justificada por traumas ou impulsos emocionais, o que reforça uma “amnésia coletiva” acerca da capacidade feminina de exercer violência premeditada (Schechter, 2013). A mídia, ao retratar essas mulheres como “anjos vingadores”, “viúvas negras” ou “monstros maternais”, reforça imagens que oscilam entre vitimização e demonização, criando uma percepção ambígua da mulher criminosa. No campo jurídico, observa-se resistência em aplicar penas com a mesma severidade usada em casos masculinos, muitas vezes associando suas condutas à insanidade, à paixão ou ao descontrole emocional. O estudo evidencia a urgência de incorporar a criminologia crítica e os estudos de gênero na formação dos profissionais do Direito, favorecendo uma visão interdisciplinar e empática. Ao lançar luz sobre o comportamento criminal feminino, rompe-se o tabu da “fragilidade feminina” e promove-se uma justiça mais igualitária, humana e socialmente consciente.
URI: https://repositorio.unifaema.edu.br/jspui/handle/123456789/3885
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